quarta-feira, 31 de julho de 2013

FRANCISCO, O ESTRATEGISTA

Gisálio Cerqueira Filho

            A recente visita do Papa Francisco ao Brasil foi de um êxito espantoso.
De um lado, inebriou os jovens manifestantes brasileiros que recém saíram às ruas para serem protagonistas na construção de uma sociedade democrática que avance mais e mais na direção dos direitos sociais. De outro lado, ouviu do Papa Francisco um estímulo político forte na opção pelo encontro e diálogo como forma de fazer política. Sendo argentino e participando nas Jornadas Mundiais da Juventude, afirmou a sua condição de latino-americano sem negar o universalismo da Igreja Católica. Colocou com questão central a opção pelo trabalho missionário nas periferias e deu um caráter didático e pedagógico às suas falas convertendo-se numa liderança de massa inacreditável aos olhos de quem o observou com atenção na Praia de Copacabana. Esta converteu-se em palco para prédicas no melhor estilo jesuíta dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola. Que paradoxo que este grande opositor argentino à gestão do Pe. Pedro Arrupe, S.J. - Provincial Geral dos Jesuítas (1965-1083) - pudesse falar nesse tom, cercado de tantos opositores à teologia da libertação e justamente no Brasil. Não fosse ela percebida com tanto vezo antimarxista nas análises correntes, sobretudo à época do Papa João Paulo II, mas também como fruto de um ecumenismo aberto ao protestantismo de Martinho Lutero, e não teríamos hoje, talvez, as rivalidades, os conflitos e o declínio do número de católicos, especialmente no Brasil.
            Os dados estatísticos apontam para um declínio, desde 1980, quando João Paulo II esteve no Brasil, de 89% da população que se dizia católica para em torno de 57 % nos dias de hoje.
            Para o sociólogo Juan Marco Vaggione, mais do que especular se Bergoglio “(...) colaborou ou não com a ditadura, o que espanta é a dificuldade que a Igreja Católica Argentina ainda tem de realizar uma autocrítica sobre seu papel no apoio e legitimação do regime militar”.[1]
Todavia, foi na Casa do Sumaré, no auditório, falando para 60 bispos das Conferências Episcopais para a América Latina e Caribe (CELAM) que foram explicitadas as questões propriamente políticas quando o discipulato missionário opta pelas periferias.[2] Embora chamando de tentações a evitar, diz que “não se trata de sair à caça de demônios, mas simplesmente de lucidez e prudência evangélicas”[3]. Seria necessário então evitar:
“1) (...) a ideologização da mensagem evangélica: 1-a) no reducionismo socializante, com base em uma hermenêutica de acordo com as ciências sociais, seja pelo liberalismo de mercado até à categorização marxista. 1-b) na ideologização psicológica. Hermenêutica elitista que, em última análise, reduz-se a uma dinâmica de autoconhecimento. Acaba por resultar numa posição imanente auto-referencial. 1-c) na proposta gnóstica. Muito ligada à anterior. Costuma ocorrer em grupos de elites com uma proposta de espiritualidade superior, bastante desencarnada, que acaba por desembocar em posições pastorais de quaestiones disputatae (...)”.[4]

Para o Papa a proposta gnóstica foi o primeiro desvio da comunidade primitiva e reaparece, ao longo da história da Igreja, em edições corrigidas e renovadas. E na sequencia diz que estes...

“são vulgarmente denominados “católicos iluminados (por serem atualmente herdeiros do Iluminismo). 1-d) na proposta pelagiana. Aparece fundamentalmente sob a forma de restauracionismo. Perante os males da Igreja, busca-se uma solução apenas na disciplina, na restauração de condutas e formas superadas que, mesmo culturalmente, não possuem capacidade significativa. Na América Latina, costuma verificar-se em pequenos grupos, em algumas novas Congregações Religiosas, em tendências para a segurança doutrinal ou disciplinar. Fundamentalmente é estática, embora possa prometer uma dinâmica para dentro: regride. Procura recuperar o passado perdido”.[5]

A esta última visão, certamente conservadora, somam-se outras duas:

“2) O funcionalismo. A sua ação na Igreja é paralisante. Mais do que com a rota, se entusiasma com o roteiro. A concepção funcionalista não tolera o mistério, aposta na eficácia. Reduz a realidade da Igreja à estrutura de uma ONG. O que vale é o resultado palpável e as estatísticas. A partir disso, chega-se a todas as modalidades empresariais de Igreja. Constitui uma espécie de ‘teologia da prosperidade’ no organograma da pastoral. 3) O clericalismo é também muito atual na América Latina. Curiosamente, na maioria dos casos, trata-se de uma cumplicidade viciosa: o sacerdote clericaliza e o leigo lhe pede por favor que o clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais cômodo. O fenômeno do clericalismo explica, em grande parte, a falta de maturidade adulta e de liberdade cristã em boa parte do laicato da América Latina: ou não cresce (a maioria), ou se abriga sob coberturas de ideologizações como as indicadas, ou ainda em pertenças parciais e limitadas”.[6]

Para muitos, todavia as grandes questões para a Igreja no século XXI estarão no domínio da moral e não na opção preferencial pelos pobres. Há 15 anos atrás o Professor Cândido Mendes, em reunião da Associação Brasileira de Ciência Política com a participação da Associação Internacional de Ciência Política, realizada no Brasil, já aludia a algumas destas prioridades: divórcio, novo casamento para divorciados, pesquisa com células tronco, opção pela hora de morrer em circunstâncias especiais. Poderíamos acrescentar: casamento homo-afetivo com possibilidade de adoção de filhos, regulação da natalidade, fármacos contraceptivos, nova percepção não misógina com relação às mulheres na Igreja[7], aborto em certas situações, questionamento do celibato para sacerdotes, etc. Todas essas observações estariam relacionadas especialmente com o corpo e, por isso Juan Arias, ressalta a radical separação entre corpo e espírito no pensamento cristão. De fato, a “influência platônica da filosofia grega com Santo Agostinho (século IV do Império Romano), viu o corpo como prisão do espírito. E isso tem vindo até os nossos dias; mas assim não era na cultura judaica primitiva onde o corpo não era considerado imoral”.[8] Ressalte-se que as primeiras comunidades cristãs beberam nesta cultura judaica primeva e então viam o corpo em maior sintonia com o espírito. Daí que uma discurso e prática inclusive de natureza teológica, não pode deixar de lado a articulação entre uma práxis (relação entre a teoria e prática) voltada para os pobres e uma himerização mesmo desse discurso, capaz de associar Himeneu e Eros enquanto metáforas para o amor, o sexo, a sexualidade, o desejo, a subjetividade enfim.  
Seria pedir demais à utopia?



[1] Marcos de Paula. “Que Papa é esse?” Entrevista com o sociólogo Juan Marco Vaggione, In O Estado de São Paulo, 27 de julho de 2013.

[2] Fala do Papa Francisco aos bispos da América Latina,  28/07/13, Rio de Janeiro.
[3] Idem.
[4] Idem.
[5] Idem.
[6] Idem.
[7] Ver especialmente Uta Ranke-Heinemann. Os Eunucos de Deus, Rio de Janeiro: Vozes, 1988.
[8] Juan Arias. “A carne não é território do pecado”, In Prosa e Verso, O Globo. Rio de Janeiro, 27/07/2013, p. 8.

terça-feira, 16 de julho de 2013

O CAMINHO SE FAZ CAMINHANDO


Gisálio Cerqueira Filho*

Dentre os megaeventos planejados pelo Brasil para os próximos anos, o primeiro passou no teste, a despeito das manifestações de rua que tomaram conta do país. Refiro-me à Copa das Confederações, patrocinada pela FIFA e encarada como ensaio para a Copa do Mundo de 2014. Curiosamente muito reclamou-se contra a interferência internacional da FIFA no Brasil, embora ela própria tenha sido idealizada num patamar próprio dos modelos ideais ao ponto de pequenos cartazes levados por manifestantes sinceros dizerem: “quero saúde padrão FIFA” e por aí vai: “educação padrão FIFA”, “segurança padrão FIFA” e, ironia contundente, um outro com os dizeres “contra a corrupção”, justamente quando a própria FIFA é frequentemente acusada de corrupção na Europa, ao ponto de denúncias terem provocado a renúncia do presidente honorário  João Havelange, grande eleitor do atual Joseph Blatter. Uma bela jovem carregava um quadrado de papelão com dizeres em tinta verde: “quero um namorado padrão FIFA”.
Ah! O desejo; esse oco - vazio nunca preenchido - que nos afeta e nos move, pois enquanto houver vida, deve-se viver e a vida gozar de todas maneiras (im)previstas...
Manifestações públicas surgidas numa demanda contra o aumento de transporte, cuja discussão já vinha sendo realizada há algum tempo pelo MPL (Movimento do Passe Livre), elas produziram dois efeitos simultâneos e já pensando nas Olímpiadas de 2016: 1) acenderam a chama do desejo que incendeia o político e move multidões. 2) levantaram indagações acerca de uma pauta de mudanças substantivas que a sociedade deseja implementar.    
Logo teremos mais um teste: a visita do Papa Francisco, que certamente mexe, e muito, com as igrejas evangélicas. Oxalá, tenhamos uma experiência que nada recorde as terríveis batalhas campais até outro dia acontecidas na Irlanda, para ficarmos num único exemplo. Que a oportunidade seja a da demonstração ecumênica já antevista pelo Papa João XXIII e pelo Concílio Vaticano II.
Todavia, entre as primeiras manifestações de rua e no aguardo da visita do Papa Francisco ocorreram distintas marchas com ações ostensivas de fechamento de estradas importantes, escoadouros da produção agrícola, com planejamento que escapa a um ato espontâneo e súbito, promovido através das chamadas “redes sociais”. Para muitos observadores tratou-se mesmo de um lock-out realizado por organizações patronais e pelo agronegócio.
Houve sim manifestações onde estiveram quilombolas, indígenas, alguns sem teto. Entretanto, a maioria dos primeiros manifestantes foi formada por “muito jovens”, classe média, sufocados pelas dificuldades de transporte e pela vida imperante nas grandes cidades. Poucos afrodescendentes nestas manifestações, poucos da periferia, das favelas. Isso era observável a olho nu. Daí, aqui e ali, perguntarmo-nos: onde se dá a sedução do político em relação a esses jovens passeantes nas ruas? Resposta: simplesmente, não se dá; não há indução à participação política proporcional à vida que pulsa acanhada, no Brasil.
Ressentidos, inconformados de ocasião, adversários da abertura política que não toleram as efetivas mudanças no aparelho policial e não aceitam as verdades da “Comissão da Verdade”; espreitam ansiosos, por uma oportunidade que os façam protagonistas.
Certamente, a visita do Papa Francisco não dará ânimo a esses oposicionistas ao Estado democrático de direito, pois na cidade do Rio de Janeiro, a expectativa é que dois milhões de também jovens (afinal são as “Jornadas da Juventude”) se reconciliem num encontro fraterno que saúda o anúncio dos mais recentes santos da Igreja a serem canonizados: os Papas João XXIII e João Paulo II, um que aponta para o “múltiplo” e outro para o “um” das tantas perguntas dos católicos de todo o mundo.
Não deixa de ser sintomático que nesse momento histórico divulgue-se um programa de espionagem dos EUA, de caráter global e alcance planetário, mas que impacta diretamente o esforço que os países da América Latina realizam de construir uma rede de solidariedade que recupera o sonho de tantos libertadores de ontem e de hoje. Nesse sentido a reunião do Mercosul que está por ser realizada proximamente  é de suma importância.
Na altura, a presidente Dilma Rousseff reagiu com uma proposta de cinco pactos com os Estados federados, os municípios, e a sociedade civil, capaz de, propondo um plebiscito, visar à reforma político-eleitoral. A consulta à população sobre temas chaves que a hora impõe, resignifica o “ouvir as ruas” e deve ser alvo de legislação pertinente a ser votada pelo Poder Legislativo. Ainda que não se realizem a tempo das mudanças ocorrerem já para as eleições de 2014 é uma proposta de diálogo com os políticos, cujo virar as costas poderia ser muito temerário e custoso politicamente.
No dia 11 de julho de 2013 está previsto o Dia Nacional de Lutas e certamente as manifestações farão emergir tantos os diversos movimentos sindicais, o MST e outras organizações da sociedade civil, que não representam apenas setores de classe média ou “descontentes”.
Vejamos se eles terão força política para sugerir pontos relevantes para alavancar uma pauta capaz de fazer avançar as reivindicações da hora.
Definitivamente, estamos na preliminar e o jogo está por ser jogado.


* Gisálio Cerqueira Filho é Professor Titular - Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador sênior do Laboratório Cidade e Poder.

terça-feira, 18 de junho de 2013



FUMAÇA E VINAGRE


Gisálio Cerqueira Filho[1]

Tomo a liberdade de refletir brevemente sobre os últimos acontecimentos; no Brasil, em geral, e no Rio de Janeiro, em particular.
Antes de tudo, ironia da história: o fato de tais manifestações terem “escolhido” o período da Copa das Confederações (FIFA) para se realizarem, aproveitando assim o apelo internacional do...futebol globalizado e a visibilidade que ele confere ao Brasil.  O historiador Eric Hobsbawm compara esse espetáculo do futebol e dos estádios que se constroem (tipo padrão FIFA), no século XXI, com a ópera na virada do século XIX/XX.  Exagero?
A integração que o Brasil apresenta, embora ambivalente e contraditória, teve a liderança forte da Rede GLOBO, e foi construída, pelo menos em  parte, pela ditadura e em torno do...futebol. (Campeonato Brasileiro ou Brasileirão, um dos mais acompanhados e observados, para fins de contratação de jogadores, no planeta). Curiosamente é a integração que serve agora à mobilização e à manipulação políticas.
Essas manifestações surfaram num aumento de transporte, cuja discussão já vinha sendo realizada há algum tempo pelo MPL (Movimento do Passe Livre). E, diga-se de passagem, aumento malvisto por quem usa e quem não usa o transporte público, diante das obras e fechamentos de ruas em função da Copa do Mundo, visita do Papa, Olimpíadas, etc.. Os transportes pioraram muito nos vários centros urbanos do “Brasil integrado”. Os engarrafamentos aumentaram também em função do maior número de automóveis em circulação, dificuldades de estacionamento e do maior acesso das famílias aos automóveis. Inclusive em cidades de médio porte.
Assim, em cada centro dinâmico urbano do Brasil, e mirando nos jogos da Copa das Confederações previsto para aquela determinada cidade, cada manifestação se transformou numa “Senhorita” cortejada por todos. A televisão fez o resto. O horizonte visível é o fim da Copa das Confederações e logo adiante a visita do Papa Francisco, que certamente mexe, e muito, com as igrejas evangélicas. Mas sobre isso só se fala entredentes e baixinho. O horizonte não discernido ainda, mas que açula o imaginário é constituído pelas próximas eleições de 2014.
Dois parênteses: 1) você, caro leitor, sabia que, por ocasião da visita do Papa, está previsto um mutirão de confissões para a Quinta da Boa Vista? Em dois dias os padres esperam confessar 50 mil católicos em movimento de massa compacta e em confessionários modernos, estilizados, tendo como símbolo o Cristo-Redentor. Se tudo correr bem, o Papa em pessoa poderá ser um dos confessores por breves minutos... Mas não é só. 2) Em alguns lugares o Papa visitará fortes adensamentos populacionais de pobres, muitos deles com forte presença dos evangélicos, que não estão gostando nada do que consideram uma “provocação”. Detectamos que igrejas de comunidades evangélicas tem proibido aos seus crentes seguidores de assistirem a TV GLOBO. Que eles simplesmente deliguem a TV ou mudem de canal. Sintonizem na TV RECORD, de um pastor protestante, por exemplo. Assim, não é de espantar que um dos grupos que cortejam a “Senhorita Manifestação” sejam os garotinhos audazes que atuam entre a turma dos “deixa disso” ou dos “bombeiros de ocasião” que acabam pilhados botando fogo...
Que a “Senhorita Manifestação” não apareça pelo campo, pelo sertão, vá lá. Trata-se, afinal, de um “estreia” citadina para muitos jovens. Mas que ela ocorra justamente com ações ostensivas planejadas e realizadas pelo agronegócio que consistem no fechamento de rodovias importantes do país e utilizadas para o escoamento da produção, dá o que pensar.
Quilombolas, sem-terra, indígenas, sem teto e outros que tais sentem-se tentados a se manifestar politicamente e renovam-se as posições que opõem entre si velhos amigos, novos inimigos, amigos novos, antigos inimigos.
Não esquecer ainda os ressentidos com a abertura política que não toleram as efetivas mudanças no aparelho policial e não aceitam as verdades da “Comissão da Verdade”. Estamos pagando o preço por não termos realizado efetivamente a transição da “polícia política” para a “polícia do cidadão”. Muita fumaça e pouco vinagre. Malgrado os esforços realizados; corações e mentes dos policiais ainda seguem a cartilha da ideologia da segurança nacional. Muitos “tiras” comentam o famoso “TIP” (tecnologia, informação e porrada), expressão que, em inglês, pode significar suborno...
Na altura, os ministros togados dos tribunais do país se interrogam se não seria melhor deixar cada “macaco no seu galho”, ao invés de chamar para si a tarefa de judicializar cada um e todos os conflitos em tela.
E todos e todas se voltam para o horizonte invisível das próximas eleições. Mas evidentemente os Senhores da oposição sentem-se impulsionados por vago desejo libidinal ao verem a “Senhorita” em despudorada manifestação e assanhada ainda por cima, a dizer com mímica ilusionista: “não vem que não tem”. Mas todos e todas sabem: se não tem, pode ter, quem sabe? E aí surgem os intrépidos jovens, e aqueles não tão jovens assim, governistas ou da base, como se diz por aqui, que querem levar a “Senhorita Manifestação” na marra e logo para a primeira alcova. É um disse-me-disse complexo. PSOL, PSTU, PT (enrustido), querendo gritar alto e bom som que viu a “Senhorita Manifestação” por primeiro, advogando para si os seus lânguidos olhares. E certamente há aqueles que discutem ao infinito o quanto seria melhor nas próximas eleições a manutenção de Dilma Rousseff (“mãe durona”?) ou o retorno de Lula (“Pai macio”?). A Banca seguramente se diverte com a “Senhorita Manifestação”, mas não tanto quanto gostaria, quando, às vezes, são as suas agências e casas bancárias que são invadidas, quebradas, numa manobra adjetivada de radical e minoritária, mas que sempre acontece. O Capital Internacional ri à distância, e sorri aqui ao lado, quando observa as peripécias por que pode passar o PRÉ-SAL, ou desfere as firmes estocadas no megaempresário Eike Batista, ou  acompanha  os pulinhos que apontam para uma desvalorização constante do real e queda nas apostas financeiras da Bolsa de Valores. A pequena burguesia assiste a tudo levemente enfarada e discute se não haveria melhor ocasião para o acontecido. O movimento sindical, no contexto das grandes transformações do setor produtivo, assiste a movimentação entre inquieto e interrogante.
Há um clima de suspense. O Conselheiro Acácio, personagem de Machado de Assis, talvez se perguntasse dubitativo:
“Até quando”?


[1] Professor Titular - Universidade Federal Fluminense. Pesquisador sênior do Laboratório Cidade e Poder.